Mais um assassinato e um pedido de socorro desesperado do Maranhão

Uma liderança do assentamento Irinema Ilhinha, no Maranhão, foi assassinada no último domingo, 6 de novembro. O moradores do assentamento vem travando uma batalha judicial com a empresa Ribeirão AS, que reivindica a posse da área.

(GT Combate ao Racismo Ambiental)

O Senhor Marlone, um das lideranças do assentamento Irinema Ilhinha, do Porto do Itaqui, Maranhão, foi assassinado no dia 6 de novembro, quando chegava em casa de volta de uma reunião da Comunidade. Ele ia entrar em casa, quando dois homens, ambos de motos, tentaram sequestrar sua filha, de cerca de cinco anos. O senhor Marlone lutou para resgatar a menina, e os assassinos dispararam ao mesmo tempo contra ele, que morreu na hora. Os bandidos abandonaram a menina e fugiram.

O moradores da Comunidade Irinema Ilhinha vêm travando um luta com a empresa Ribeirão AS, que adquiriu as terras onde as famílias moravam e, apesar disso, conseguiu na justiça um mandato de reintegração de posse. A comunidade recorreu da decisão, por meio de mandato de segurança impetrado pela advogada, ganhando. Mas a empresa conseguiu revogar o mandato. A advogada entrou com um agravo de instrumento, que foi concedido quinta-feira passada, dia 3, garantindo à comunidade o retorno às suas terras.

Esta notícia foi enviada inicialmente por uma pessoa da comunidade, segundo a qual eles não têm articulação política e estão com muito medo, desesperados por não saber a quem mais recorrer. O pedido que faziam e fazem é para que essa informação seja divulgada e não só eles tenham apoio e garantias, como o crime não fique impune e no anonimato.

As informações foram todas confirmadas por telefone pela advogada, que se disse, ela própria, ainda sob o choque de tudo o que está acontecendo. O Senhor Marlone deve estar sendo sepultado agora, no final da tarde. A advogada ratificou o pedido de apoio e solidariedade para a comunidade.

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Apresentação de trabalhos no SINGA

Alunos vinculados ao Núcleo de Estudos e Pesquisa em Questões Agrárias – NERA da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Roberta Figueiredo apresentarão trabalhos no V Simpósio Internacional de Geografia Agrária e do VI Simpósio Nacional de Geografia Agrária. O evento ocorrerá em Belém entre os dias 7 a 11 de novembro de 2011, na UFPA.

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MESA REDONDA

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Crianças Sem Terrinhas brincam e lutam por escolas

Por Vanessa Ramos
Da Página do MST

A alegria característica das crianças se misturaram com indignação nas atividades da Jornada Nacional dos Sem Terrinhas, que reivindica o direito à educação e denuncia o fechamento de escolas no campo.
De acordo com o Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, 24 mil escolas do campo foram fechadas entre 2002 e 2009.
Em função desses dados, o tema trabalhado nesta edição da jornada foi a campanha “Fechar escola é crime”, lançada pelo MST em junho deste ano para denunciar a realidade da educação brasileira e o fechamento de escolas no campo.]
“O fechamento de escolas faz parte de uma política de fortalecimento do agronegócio. Porque, justamente onde se fecharam escolas, foi onde o agronegócio expandiu. É também o local onde se concentrou mais terra, onde se expulsou mais agricultores”, informou Alessandro Mariano, do Setor de Educação do MST no Paraná.
Para ele, a educação brasileira passa por um processo de sucatização, em que o Estado se ausenta da responsabilidade de garantir políticas que viabilizem uma educação de qualidade, principalmente para as crianças que vivem no campo. Só no Paraná, por exemplo, cerca 1400 escolas foram fechadas no meio rural.
Assim, fica a cargo da organização e luta da população rural a missão de garantir ensino de qualidade nos assentamentos. Por meio de campanhas de conscientização e lutas, os camponeses tentam reverter essa realidade.
No Paraná, por exemplo, por meio dos esforços do MST foi possível fazer com que o Estado abrisse novas escolas públicas na região.
No entanto, as escolas que ficam no campo padecem com a infraestrutura precária, segundo informações do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Muitas vezes não possuem luz, mesas e cadeiras, itens considerados básicos para o funcionamento de uma escola. “Esse é o padrão das escolas do campo”, afirmou Mariano.
Para piorar, junto ao fechamento das escolas surgem mais algumas complicações, como a necessidade de deslocamento das crianças do campo estudar em escolas na cidade, a falta de transporte escolar, as longas e diárias viagens das crianças…
“Quando se fecha uma escola no campo, toda referência de vida da criança é perdida e substituída pelas referências da cidade”, explica Mariano. Assim, é reforçada a ideia de que o melhor lugar para é a cidade, que estimula o êxodo rural. Para Mariano essa situação é ruim porque tanto a cidade quanto o campo têm suas especificidades e uma não pode substituir a outra.

Breve História

Ao longo da história do MST, a participação das crianças na luta pela terra, sobretudo, pelo direito à escola têm contribuído para a construção da identidade dos Sem Terrinhas, filhos dos Sem Terra.
Segundo Mariano, a Jornada Nacional dos Sem Terrinhas foi sendo construída pelas próprias crianças, durante todos esses anos. “Hoje, com a sua importância, a Jornada das Crianças faz parte do calendário do MST”, afirma.
Mariano explicou que a luta – seja ela por Reforma Agrária ou por melhores escolas no campo – é algo presente na vida das crianças, por causa de realidade em que vivem. Na jornada, os Sem Terrinhas conseguem expressar seus descontentamentos e reivindicar os seus direitos.
A jornada
A Bahia reuniu cerca de 1500 crianças durante a jornada.

No Espírito Santos, cerca de 300 crianças participaram de encontro, realizado entre 10 e 11 de outubro.
No Maranhão, as atividades foram realizadas em Açailândia e Tocantina, com a mobilização de 400 crianças.
Em Minas Gerais, o 4° Encontro Estadual dos Sem Terrinhas acontece entre 15 e 17 de outubro, em Belo Horizonte.
No Paraná, a jornada será realizada entre 29 de outubro e 2 de novembro, paralelamento ao 1º Festival de Artes das Escolas de Assentamentos. A previsão é que 2.500 crianças e jovens participem.
O MST do Rio de Janeiro realizou o 14º Estadual dos Sem Terrinhas, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, entre 8 e 10 de outubro. Cerca de 50 crianças participaram do encontro.
Aproximadamente 200 crianças participaram da Jornada em São Paulo, realizada no dia 8, na Grande São Paulo, e no dia 13, Itapeva.

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